De olho nas Olimpíadas, Keila Calaça busca evolução do wrestling goiano

0
247
(Foto: Vitor Monteiro/Esporte Goiano)

16 anos de carreira, vários títulos, desafios superados e objetivos traçados. Essa é Keila Calaça, goiana que se destaca no mundo do wrestling (luta profissional), na categoria estilo livre até 75 kg.

Formada em Educação Física na Universidade Federal de Goiás, Keila conheceu e se apaixonou pelo esporte durante a faculdade. “Foi na UFG que tive meu primeiro contato com a modalidade. Na época, o centro de treinamento era na Faculdade de Educação Física. Era o único lugar do país que tinha tapete (e toda estrutura de centro de treinamento), então a Seleção Brasileira vinha para Goiânia fazer seus treinamentos e o responsável era um técnico cubano”.

Veja mais sobre as modalidades de luta no Estado!

O currículo da lutadora de 33 anos é extenso e recheado de conquistas. Alguns dos resultados mais recentes são: título pan-americano e brasileiro de beach wrestling, terceira colocada no Granma y Cerro Pelado (um dos mais tradicionais eventos da modalidade no mundo, realizado em Cuba) e vice-campeã sul-americana.

Atleta da Seleção Brasileira da modalidade há alguns anos, Keila Calaça esteve como reserva de Aline Silva nos Jogos Olímpicos de 2016. O objetivo agora é ganhar a titularidade na próxima edição da maior competição desportiva do planeta. “Mesmo sem ter lutado, foi um sonho fazer parte da equipe e acompanhar todo aquele ambiente, toda aquela áurea olímpica. Meu principal desejo é ser atleta olímpica. Vou dar meu último gás para chegar nos Jogos de 2020 (em Tóquio) como titular da Seleção”.

Desafios

Durante o mês de agosto, Keila assumiu o papel de professora no CEPAE UFG. (Foto: Vitor Monteiro/Esporte Goiano)
Durante o mês de agosto, Keila Calaça vivencia um novo desafio: ser professora. Ela está dando aulas de wrestling para alunos (de 8 a 12 anos) do Centro de Ensino e Pesquisa Aplicada à Educação (CEPAE) da UFG.

O desenvolvimento de projetos de base é um dos caminhos para popularizar o Wrestling em Goiânia e no Brasil. A pouca cobertura da imprensa também foi apontada como obstáculo. “Acredito que falta um pouco mais de divulgação, de espaço na mídia. Ainda não tem tradição, então precisa ser visto, precisa de espaço. Além disso, tem de ser trabalhado nas escolas. É um projeto muito importante para a Federação e um sonho pessoal meu, desde a época que estava na faculdade, colocar a luta olímpica dentro do CEPAE. Com a direção do professor Alcir, conseguimos inserir a luta. Precisamos, fundamentalmente, desses dois pontos para conseguir massificar a modalidade”.

Outra dificuldade enfrentada por Keila é o machismo, principalmente na parte administrativa da modalidade. “Eu não acreditava muito no machismo, mas tem. Percebi após assumir um cargo de direção na Federação Goiana. Tudo que você faz, parece não ser suficiente, mesmo fazendo mais que os outros. Na luta em si (parte desportiva), até que não percebe tanto. No Brasil, a luta feminina tem mais destaque que a greco-romana e o estilo livre masculino. Os principais atletas e principais resultados são do feminino, que é um time muito forte (Aline Silva, Dailaine Gomes, Joice Silva e Carol Soares são alguns exemplos) e hoje é respeitado nas competições internacionais”.

Comentários

comentários