Adson cita falta de intensidade e critica treinadores brasileiros; Ouça!

Foto: Willian Rommel/Esporte Goiano
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Na noite de ontem, o Atlético demitiu o treinador Cristóvão Borges. A demissão pegou diversas pessoas de surpresa, devido ao aproveitamento da equipe e as boas atuações, principalmente no clássico contra o Goiás. Em entrevista coletiva, Adson Batista, presidente do Atlético esclareceu o motivo da demissão. Segundo o dirigente, os conceitos do treinador não iam de encontro aos conceitos que existem dentro do Atlético.

“A questão do Cristóvão, a gente conhece o profissional no dia a dia. Muito fácil as pessoas que estão de fora do clube, fazer julgamentos, avaliar da forma que pensa, quem sabe das coisas somos nós, que estamos aqui há quase 15 anos. Sabemos que o clube se tornou importante no futebol brasileiro e nesse período buscamos conhecer o Cristóvão, muitas coisas fora do que imaginávamos. Ele tem conceitos diferentes de futebol, nós temos outra forma de pensar futebol e eu não posso esperar as coisas acontecerem para que eu tenha que tomar decisão. O Atlético não espera, eu sei que vou ser criticado, eu prefiro ser criticado fazendo as coisas que eu entendo como certas, que eu estou protegendo o clube, do que ser omisso e pagar um preço lá na frente”

“Evidente que nós vamos enfrentar um ano muito difícil, com muita competitividade e eu preciso de um perfil diferente, intenso no dia a dia, que pensa futebol de forma diferente. Eu acompanho todos os dias, converso com treinador e comissão técnica diariamente. É uma decisão que foi amadurecida, ele sabia disso, porque eu fui verdadeiro com ele. As pessoas fora do estado, em outros veículos de comunicação, que não trabalham no dia a dia, acham que eu sou maluco, que eu jogo pedra em avião. Eu tenho os conceitos do clube, a forma do clube trabalhar e esse grupo é muito bom e eu confio nele, evidente que nós sempre vamos buscar melhorar dentro das nossas possibilidades, absorve de forma negativa alguns métodos de trabalho. Esse grupo foi preparado pela comissão permanente, física e tecnicamente. Daqui a pouco ia cair de produção e eu não vou esperar isso acontecer”, explicou Adson a demissão de Cristóvão Borges.

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Intensidade

Ainda sobre a demissão, Adson criticou o auxiliar técnico que acompanhou Cristóvão no Atlético. Segundo ele, o profissional que não tinha a mínima condição de trabalhar no clube. O dirigente voltou a falar sobre conceitos, que todos dentro do clube enxergavam que o Atlético precisava de um novo rumo. Adson criticou a linha baixa que o Atlético atuou em algumas partidas, pedindo uma marcação mais alta, além de mais intensidade do que vinha apresentando com o treinador no comando do clube.

“Todo treinador tem sua luz própria, ele vai chegar aqui e vai ter o seu sistema de trabalho. Não quero expor o profissional, porque ele tem os conceitos dele e acredita nesses conceitos. Trouxe um auxiliar que na minha visão não tem a mínima condição. Eu não quero ficar aqui expondo as coisas, falando mal das pessoas, eu quero buscar solução. Eu entendi que a gente precisava de uma filosofia totalmente diferente, todos os profissionais do clube enxergam dessa forma. Eu não sou ditador, não sou centralizador, só que acima de tudo está o clube, os objetivos do clube. É muito fácil as pessoas que não conhecem o clube falar um monte de besteira. O Cristóvão é um cara tão tranquilo, tão passivo, que não existia esse nível de discussão. Ele escalou bem o time, teve momentos que ele poderia ter feito outras opções, a gente sempre conversou com ele, mas esse nunca foi o problema. O time vem fazendo uma campanha muito boa, regular, tranquila, passou de fase na Copa do Brasil. O problema é o futuro. Nós entendemos que o Atlético é um clube que precisa correr mais que os outros, precisa ser mais intenso que os adversários. Teve um jornalista que me ligou ontem a noite, fez uma matéria e colocou tudo ao contrário do que eu falei, que eu errei realmente ao escolher o Cristóvão, mas eu quero é time que jogue pra frente, com força, velocidade, eu não quero time jogando com linha baixa. Eu gosto de time que joga em linha alta, com competitividade, principalmente Campeonato Goiano, que o Atlético tem a obrigação de jogar com linha alta. Essa foi uma das discussões internamente aqui, porque a gente queria que jogasse dessa forma. No clássico contra o Goiás, o Atlético jogou e teve sucesso. Em alguns jogos, o Atlético jogou com linha baixa. São conceitos do treinador, eu respeito, ele é um cara decente. Não foi só por isso que ele saiu, é por conceitos que ele tem e não abre mão e o perfil do clube tem outras formas de trabalhar, de conduzir. O Cristóvão é um profissional que as vezes não enxerga um fisiologista da forma que precisa, nós entendemos que o fisiologista é muito importante. Eu não vou expor outras coisas porque eu o respeito. Ele é uma grande pessoa, um cara do bem, só que não abre mão dos conceitos, entende que é o que ele deve usar no dia a dia e eu vou respeitar, mas eu tenho por direito de buscar um perfil diferente para o Atlético”, criticou Adson alguns conceitos defendidos pelo agora ex-treinador.

Críticas aos treinadores brasileiros

Na procura de um novo profissional, Adson Batista criticou o nível técnico de alguns treinadores no mercado brasileiro. Segundo ele, a culpa sempre cai nos dirigentes, mas os treinadores também tem culpa, pois treinadores vem e vão nos clubes, mas que os dirigentes ficam e precisam pagar contas, administrar o clube da melhor forma possível. Adson não descartou a cobrança em cima de escalações, mas que segundo ele, quem tem a palavra final é o treinador, para justamente não sair falando mal e que teve o seu trabalhado influenciado por motivos externos.

“É falta de profissionais qualificados. Era importante as pessoas no Brasil ouvirem isso. O pessoal fala muito dos dirigentes, mas quem tem que ser muito qualificado são os treinadores e a qualificação dos treinadores brasileiros é falha. Tem muitos bons treinadores, com capacidade, mas falta muita coisa, nós precisamos evoluir demais. Eu estou falando humildemente, é um conceito que eu tenho. Eu vivi e convivi com muitos treinadores, com muitos profissionais. Precisam avaliar muito isso, sempre colocam os treinadores como vítima e os clubes tem que pagar as contas, cair de divisão e fica a bomba para a gente administrar. Eu não vou, na minha gestão endividar o Atlético. Nós estamos pagando dívidas faraônicas todo ano, nós entramos esse ano pagando um monte, arrumar estádio e o dinheiro sai do futebol, não tem milagre. Falta opção, meu telefone tem várias mensagens, mas se eu somar tudo fica difícil. Tem três ou quatro em condições de fazer o que precisamos, falta um pouco de mea-culpa dos treinadores, porque tem muito treinador de discurso, mas no dia a dia não tem qualidade no trabalho. Não é só no trabalho, na gestão interna, ter o grupo na mão, fazer os jogadores olhar com respeito e ver como uma referência”

“Tem treinadores que vão tocando, vendo se o time os carrega. Eu tive muitos treinadores aqui que escala time é a balela dos comentaristas, pois não tem o que falar. Às vezes eu dei a mão pro cara, para não cair no abismo e deixo ter a responsabilidade da palavra final. Ele tem que ter responsabilidade, porque no momento que eu for demitir qualquer treinador, ele vai falar que está saindo porque quem escalava era o presidente. Ninguém nunca saiu falando isso, porque eu não dou essa margem para eles. Eu questiono quando o jogador tá mal, tá bem, porque minha responsabilidade é a maior do clube. Escalar time, a última palavra é do treinador, então isso é conversa de gente que sempre fala a mesma coisa e não contribui em nada”, criticou o dirigente a formação dos treinadores brasileiros.

Técnico estrangeiro?

Desde 2019, treinadores estrangeiros vem tomando espaço no futebol brasileiro. O maior exemplo é Jorge Jesus, treinador do Flamengo, campeão brasileiro e da Libertadores no último ano. Segundo Adson, o Atlético não tem restrições ao trabalho de estrangeiros, mas que no entanto, a equipe precisa de alguém que assimile rápido os conceitos do clube e não que precise de um grande tempo para se adaptar ao Atlético e ao futebol brasileiro

“Eu não descarto nada, mas eu prefiro os treinadores brasileiros. Para um clube emergente igual o Atlético, a gente não pode pagar pra ver. O Flamengo trouxe o Jorge Jesus e deu certíssimo, mas vai ver o que o Flamengo tem, ele contrata quem ele quiser. Não deu certo esse, põe o outro, vai dar certo, muita qualidade. Nós não, nós somos força de conjunto, limitações de orçamento e eu tenho que ter cuidado. Esses treinadores estrangeiros precisam de tempo para trabalhar e nós não temos esse tempo. Daqui a pouco nós estamos disputando uma Série A e tem que vender o almoço para comprar a janta, é assim. Eu prefiro um treinador brasileiro que adapte a filosofia do clube, o clube tem protocolos próprios, se tornando ao longo do tempo mais profissional”

“Eu não trabalho com treinador que não usa preparador físico, que trabalha mais com bola, eu faço entrevista. Eu tenho que tomar decisões, nós temos decisão quarta-feira, importantíssima para o clube. A minha comissão permanente tem os jogadores na mão. Os jogadores vinham questionar isso ou aquilo, confiam na comissão permanente e isso me dá tranquilidade para buscar um profissional que adapte ao nosso perfil. Trabalhar no Atlético é a coisa mais fácil do mundo, nós já carregamos vários treinadores aqui, mas ele tem que querer. Se ele não querer, fica difícil demais. Aqui nós temos uma equipe muito boa de trabalho, se o treinador souber comandar, pois são pessoas honestas, são pessoas que em momento nenhum querem tomar o lugar do treinador, eu não trabalho com gente de caráter duvidoso. Nós já carregamos muito treinadores, que aqui era o cara, mas saiu e não andou em lugar nenhum. Aqui tem uma comissão muito funcional, eu não tenho desespero, há muitos dias estávamos com essa ideia. Não houve casamento, não deu para ter sequência. Cada pessoa enxerga o futebol de um jeito diferente, acham que as coisas funcionam diferente. Quem sabe é quem está no dia a dia, convivendo com as coisas, fragilidades, problemas, situações. Nesse momento as pessoas entendem tudo diferente, é muita pancada, mas nós somos fortes para enfrentar isso de cabeça erguida. Nada melhor que os resultados, que um ano bom, eu tenho que dar resposta para os torcedores que vão em todos os jogos. Para os torcedores que ficam criticando, vão ao estádio, critiquem, mas não fiquem em redes sociais”

“Nós vivemos em um estado que as pessoas cobram muita torcida do Atlético, mas quem está levando torcida? Nós precisamos fazer um mea-culpa, um estudo para levar o torcedor a campo. Todos os times tem torcida, eu não sei o que é, eu tento fazer o meu melhor dentro das minhas possibilidades. Fazer um time competitivo, que briga, que tem estrutura e estádio cada dia melhor. Milagre só Deus faz, as pessoas precisam enxergar com realidade e não com maldade como muitas pessoas fazem”, finalizou o dirigente.

Ouça a entrevista completa de Adson Batista após a demissão de Cristóvão Borges

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