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domingo, junho 16, 2024
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Hélio Torres: Uh! É Ruralzão

É meu povo, vai começar outro Ruralzão. A bola correndo solta na terra ‘vermeia‘ de Cora Coralina, Carmo Bernardes, Geraldinho Nogueira, Pedro Ludovico, Juquinha, Vira e Mexe, Leo Jaime e PoBox. ‘Firma o gorpe’ que a danada vai desembestar no MELHOR CAMPEONATO RUIM DO INTERIOR DO BRASIL. É o futebol lado B.

Goianão é sossego. É campeonato de “levar mininu” pro campo, comprar pipoca colorida, churros de chocolate, espetinho de frango com açafrão, ver gente usando a segunda camisa da temporada de 2004 de um time da terceira divisão do campeonato da Moldávia. É tempo bom pra levar a namorada que não sabe pra onde o time ataca ou fazer uma graça com o sogro que fica reclamando e comparando os pernas de pau da atualidade com os ídolos refinados dos anos 80. Época de rever os amigos virtuais que a gente treta no Facebook e os reais de sempre.

Ruralzão é aguentar aquele amigo dizer com toda propriedade do mundo que no jogo do Iporá contra o Goianésia, o lateral direito, que era meia improvisado, atuou como falso 9 pra ajudar a compactar as linhas e aglutinar o setor defensivo, obrigando ao adversário jogar atrás da linha da bola, e que só perdeu porque o treinador não quis abrir mão do jogo de pressão usando as diagonais e as paralelas pra continuar sendo fiel à configuração 3 2 5 1 que é melhor em situações onde o adversário joga sempre no  4 4 2 fazendo linhas de pressão. Na verdade, perdeu porque o Nonato fez gol numa jogada de rachão mesmo. Aliás, o que é o Goianão senão a disputa da taça Raimundo Nonato de Lima Ribeiro? Mito!

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Nenhum outro campeonato ruim é tão massa quanto o nosso. Os charmosos campos do interior e aquele ‘cheirim’ de ‘piquí’ pra todo lado. Empadinha e empadão. Pamonha frita. Gente cheirosa e bem arrumada andando de cavalo na rua. Pracinha.  ‘Camioneta’ pra tudo quanto é lado. ‘Muierada bunita bisurdo’.

Já aqui na capital tudo se resolve no final, no Serra. Gente andando de cavalo? Só a polícia com cassetete de madeira da altura de uma geladeira. Aqui a gente gosta é de Pit Dog, ‘buteco’ copo ‘xujo’ e churrasco na casa do ‘zoto’. Aqui tem uma mulherada ‘bunita’ também. Em compensação, é uma ‘machaiada’ feia sem camisa pra todo lado. Tudo gordo e cachaceiro. Mas tudo gente boa no 12 (tem ‘uns doido’ que gosta de confusão, mas ‘tamos’ de olho).

Goianão é isso. Esse ‘campeonatim’ que já foi bom e hoje é ruim, más é ‘bão’. A gente reclama, faz beicinho, fala que não vai e ‘quandefé’, ‘oia nois’ lá de novo, ‘esturricano’ no sol, bebendo em pé aquele copão de plástico de cerveja misturada quente de marca tikim (tikim de uma, tikim de outra,…), xingando o juiz, a diretoria, perdendo a voz e pedindo jogador; e chamando jogador, principalmente os gordos e os veteranos, de mitos. Quando a gente perde, implora – termina Goianão! -, mas quando ganha, a gente acha que o projeto Tóquio é viável e sonha ver o time goleando o Barcinha em dezembro.

O Ruralzão é feião mesmo, mas é charmoso. É nosso e é ‘bemalí’. E pra nós, da terra do Araguaia, do Vale da Lua, de Caldas Novas e do Faina, é a única oportunidade real de gritar “é campeão!” e zoar alguém.  E que comece logo esse negócio que tô afim de gastar meus dez reais.

Tchaaaaaaaaaaaaau. ‘Brigado’.

 

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