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Para-taekwondo ganha espaço e já é realidade em Goiás

Durante a 1ª etapa do Campeonato Goiano de Taekwondo 2017, uma luta prendeu a atenção de todos os presentes, incluindo dos outros atletas. Foi o combate entre Bruno Guimarães Rodrigues, o Bruninho, que tem Síndrome de Down, e João Pedro Caldeira, que tem tetraplegia mista. Os dois fizeram uma disputa exibição, que serviu para divulgar o para-taekwondo.

Desde o dia 1 de janeiro de 2017, a Federação Goiana conta com um novo departamento: o Para-Taekwondo. A modalidade vai estrear nas Paralimpíadas nos jogos de Tóquio-2020.
(Foto: Vitor Monteiro/Esporte Goiano)

Faustho Feliz, responsável por coordenar a seção, falou sobre a intenção da FGTKD com o paradesporto e revelou que a procura tem aumentado. “É buscar a inclusão social, mostrar que o até então deficiente físico, mental, é um cidadão, mesmo com suas dificuldades, tem os mesmos direitos. a intenção é mostrar que todos são capazes. A cada dia recebo mais telefonemas, contatos de pessoas falando sobre paratletas que estão começando. Goiás é um Estado bem rico de atletas. É complicado falar de números, mas a procura é muito grande”.

Mestre Faustho, como é conhecido, falou das diferentes categorias do para-taekwondo. “Os atletas com deficiência mental fazem o poomsae, que é a luta imaginária (apresenta sozinho). Outra categoria é a disputada pelos deficientes físicos, que estará nas Olimpíadas de Tóquio 2020. A única diferença é que ele não tem os membros superiores”.

Vibração, destaque e disciplina

Conhecido nacionalmente, Bruninho, de 26 anos, conduziu a tocha olímpica na passagem pelo Estado de Goiás. O atleta de Ipameri chama a atenção desde os momentos de aquecimento dos atletas. Bastante concentrado, vibra efusivamente a cada golpe. Praticante do taekwondo desde os 11 anos, Bruno é considerado um exemplo para outros que tenham deficiências possam entrar no mundo dos esportes. Afinal, ser diferente é normal.

(Foto: Vitor Monteiro/Esporte Goiano)

Ex-lutador de caratê, Carlos Alberto Pereira Rodrigues, pai de Bruno, conta, orgulhoso, sobre a paixão do filho pelo esporte. “Tem 15 anos que ele pratica. Sempre quis mesmo praticar esporte. Taekwondo não é para caçar briga ou ficar violento. É uma fisioterapia, que vem servindo para superar as coisas através do esporte. É um esporte muito educativo. Fui lutador de caratê e hoje ele luta taekwondo. Acabou puxando um pouquinho o gosto pela luta. Sempre participando de campeonatos, vemos que a modalidade tem evoluído, o público tem aderido mais”.

Orgulho

“Pai coruja”, como ele próprio se define, Carlos é grato à algumas pessoas, que ajudaram Bruninho. “Sem desmerecer os outros, o mestre Edgar (Guimarães, técnico da Seleção Goiana) foi um incentivador, que buscou o Bruno e, junto com o Atila, atual professor dele. Cada lugar que ele luta, a recepção é muito boa, todo mundo respeita e demonstra muito carinho. Em relação a luta, não tem de passar a mão na cabeça dele. Ele sabe que tem regras e as segue”.

Mestre Faustho não poupou elogios na hora de falar sobre Bruninho. “É o nosso xodó. Começou a treinar com a gente desde novinho e hoje é faixa preta, com todos os méritos. Foi examinado como convencional, ou seja, não teve diferenciação de atleta com necessidade especial. A avaliação foi a mesma e ele cumpriu todas as metas. É muito dedicado, super empolgado e é uma referência para Ipameri, para o Estado e para todo o Brasil. É muito gratificante termos um atleta como o Bruno, que serve de exemplo. Vários outros Brunos estão aparecendo”.

Evolução graças ao esporte

(Foto: Vitor Monteiro/Esporte Goiano)

Natural de Barra do Garça-MT, o garoto João Pedro Caldeira é outro atleta do para-taekwondo. Ele esteve presente em Goiânia durante o estadual e é outro grande exemplo de superação e do quanto o esporte pode ajudar na evolução, como conta a professora Joice Brito Silva. “Contar com ele na nossa academia e poder participar desses eventos foi uma grande satisfação, pois ele é uma criança especial. Quando ele começou a trabalhar comigo, era cadeirante, não andava ainda. Ele tinha muita dificuldade no psicomotor. Foi um grande desafio para nós, que não estávamos preparados para atender uma criança especial. Abraçamos a causa e tem dado muito certo”.

De uma escolha da mãe, o taekwondo se transformou em uma paixão para João, que hoje é faixa verde (4ª faixa da modalidade). “Era meio desmotivado porque não conseguia brincar com outras crianças. A mãe procurou a academia por conta do tatame, já que ele não machucaria caso caísse. A partir do momento que ele começou a desenvolver a coordenação motora e o cognitivo, a mãe apaixonou. O João treina uma hora e meia todos os dias e, se marcar treino no sábado, ele faz questão de treinar também. Faz questão de se esforçar também na escola, porque cobramos isso”.

“Nosso intuito é que ele gradue mais e possa socializar ainda mais com outras crianças, que gostam dele, gostam de lutar com ele. Ele participa normalmente, sem qualquer tipo de exclusão. Sempre tentamos incluir ele no processo, para o motivar mais e mais. Todos têm capacidade de competir e estarem incluídos. Temos de abrir a mente, nos qualificarmos mais para que todos possam participar”, finaliza Joice.

Vitor Monteirohttps://esportegoiano.com.br/
Jornalista formado pela UFG (Universidade Federal de Goiás). Co-fundador do site Esporte Goiano e repórter da TV Record Goiás. Trabalhou também na Conmebol TV, CBF TV, Dazn, SportyNet, Canal Nosso Futebol, TV Brasil Central, Rádio Positiva FM. Rádio Universitária 870 AM, TV UFG, Rádio 730/Portal 730, Rádio e TV Sagres, jornal O Popular, MyCujoo, Eleven Sports, CBDU e Secretaria de Estado de Esporte e Lazer (Seel) de Goiás.
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